
Em sua gênese, a palavra vestibular precede do latim, que significa entrada, passagem, portal... Ora, umas das propostas centrais do MEC-INEP com o Exame é a de exaurir o vestibular, a fim de promover a justiça social no ingresso de estudantes ao ensino superior, sobretudo, pela rede pública. Contudo, essa “justiça” não passa de uma ilusão, para não dizer que é uma falácia, uma vez que em todos os cursos a concorrência aumentou vertiginosamente na maioria das Universidades federais, isto é, aquelas que aderiram o NOVO ENEM como ponte de entrada para as mesmas. Fala-se com o NOVO ENEM em igualdade, em oportunidade e isonomia que na verdade são características contraditórias deste modelo, basta lembrar de que uma mesma prova é aplicada para alunos da rede pública e privada, sem levar em consideração também os disparates regionais do desempenho dos estudantes que são analisados todo ano. Mas o ensino público vai muito bem! Não custa nada uma gotícula de sacarmos. Precisa-se possuir conhecimento em pedagogia para constatar que 180 questões é uma grande ignorância? Então o estudante precisa de quantidade? É óbvio que o ministro da educação Fernando Haddad tem consciência e comunga do mesmo pensamento que o NOVO ENEM em partes é ante-pedagógico, porém não cometeria o desatino de ir até a mídia e fazer tão simplória observação. E não sejamos ingênuos, há um jogo de interesse, que presumo não beneficiar a massa. Ainda que uma minoria de estudantes sejam leitores assíduos, fazer o Exame é um calvário. Bom seria se os filhos dos nossos ministros utilizassem a educação pública brasileira, embora não seja da minha alçada, dizer que eles estudam nas melhores escolas dos E.U. A ou na Europa justifica algumas coisas.O NOVO ENEM estar acabando com o caráter regional das universidades, tendo em vista que um estudante de são Paulo poderá concorrer a uma vaga na Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) deixando de beneficiar jovens dessa região, onde a Universidade se instalou, perdendo conseqüentemente a identidade local.
Imaginemos que o estudante é o centro, o cerne do funcionamento do processo educativo, todavia, alguém ficou sabendo de algum grupo de estudantes ou organização que a nós representa a participar das reuniões que configurou essa nova proposta altamente exclusiva e manipuladora ? Dizer que o NOVO ENEM é até aqui exitoso é a maior das mentiras. A insatisfação é plena, ou melhor, a indignação é evidente.
(P.S) Não defendo a exclusão do NOVO ENEM, sei de sua importância e de sua colaboração nos últimos anos. O problema reside na reformulação. O NOVO ENEM é contraditório e recheado de equívocos no qual os mais prejudicados são os estudantes, eminentemente aqueles que são da educação pública. Queremos ser respeitados, precisamos de transparência, lisura em todo processo que constitui o exame. Chega ser enfadonha a repetição de erros, problemas com gráfica, transporte de prova e o cume, a briga de braço na justiça. São dilemas que chamam a atenção dos poderes públicos e o descrédito de toda população.
Por fim, essas indubitavelmente não são pontuações subjetivas ou más intencionada, são o pensamento daqueles que pensam. O pensamento de um grupo homo gênio, de pessoas que não aceitam a intolorência e o desdém com a educação pública, do contrário, reivindica melhorias e vomitam toda a hipocrisia daqueles que a professam.
Por Miguel Marques
Concordo com seu ponto de vista Miguel, na verdade quem bem delinearia as intenções tendenciosas do Novo enem é um velho conhecido chamado de Maquiavel.
ResponderExcluirA luta pelo pensamento democrático e a igualdade no âmbito social é eterna. Mas é de fundamental relevância a sua colaboração desmascarando as intenções escusas dos nossos governantes.
Continue postando e nos fornecendo a oportunidade de sermos conhecedores das problemáticas nos diversos seguimentos da sociedade.
Pedro P. dos Santos.